Entenda o que significam variações nos níveis de ferritina, quando elas exigem investigação médica e como reagir para evitar danos a órgãos essenciais
Ferritina é a proteína que armazena e transporta o ferro no corpo, um mineral vital para a produção de hemoglobina, síntese de DNA e geração de energia celular.
Variações nos níveis de ferritina podem indicar tanto deficiência de ferro quanto processos inflamatórios, por isso interpretar o exame exige contexto clínico e outros testes.
Na sequência explicamos o que cada alteração pode significar, que exames pedir e as opções de tratamento, com base nas informações divulgadas pelo g1
O que é ferritina e por que ela importa
Conforme a reportagem, “A ferritina é uma proteína especializada no transporte do ferro, um mineral essencial para a vida.” A molécula foi sintetizada pela primeira vez na década de 1930 por Vilém Laufberger e é produzida, entre outros locais, pelo fígado.
O ferro é necessário para a produção de hemoglobina e mioglobina, responsáveis pelo transporte de oxigênio no sangue e nos músculos, além de participar da produção de energia e da síntese de DNA.
Quando níveis baixos são preocupantes
Segundo especialistas citados, a deficiência pode decorrer de “Uma alimentação inadequada, pobre em fontes de ferro, é uma das possíveis razões para a deficiência dele no organismo. Além disso, algumas doenças podem afetar a absorção de ferro, como a doença celíaca (uma enfermidade autoimune causada pela intolerância ao glúten)”, conforme a médica hematologista Fabiola Pabst Bremer.
Outro fator comum é o sangramento crônico, por exemplo em mulheres com fluxos menstruais intensos ou em idosos com hemorragias gastrointestinais discretas. A queda do ferro compromete funções celulares e pode levar à anemia, com baixo nível de hemoglobina.
Quando níveis altos são preocupantes e como tratar
O aumento da ferritina nem sempre reflete excesso de ferro, frequentemente está relacionado a processos inflamatórios ou infecciosos, como covid-19, síndrome metabólica e lúpus, ou a condições genéticas, como a hemocromatose hereditária.
Como alerta a hematologista Cristiane de Oliveira Henriques, “O excesso de ferro livre no corpo pode ser tóxico para as células e levar ao depósito dele em diversos órgãos, como fígado e coração. Isso pode resultar na disfunção desses órgãos, podendo evoluir para cirrose hepática e outros problemas cardíacos. Além disso, o depósito de ferro em articulações e na pele pode causar dor articular e alterações na coloração da pele”.
Sobre faixas de referência, “A faixa normal de ferritina varia de acordo com o sexo, sendo de 30 ng/mL a 300 ng/mL para mulheres e de 30 ng/mL a 350 ng/mL para homens, segundo a dra. Cristiane.” Essa medida, isolada, não é diagnóstica, por isso é fundamental a avaliação médica e exames complementares.
Entre os exames citados para avaliar o perfil de ferro estão a dosagem do ferro sérico, a capacidade total de ligação do ferro (TIBC) e o índice de saturação da transferrina (IST).
Para ferritina baixa, o tratamento inclui reposição de ferro por via oral ou infusões endovenosas e investigação da causa, como sangramentos ou problemas de absorção intestinal. Em casos de ferritina alta associada a excesso de ferro, uma opção é a sangria terapêutica, a retirada de sangue como em doação, e quando contraindicada, o uso de medicamentos quelantes de ferro.
Como detalha a matéria, a sangria terapêutica consiste na “retirada de cerca de 400 a 500 ml de sangue do paciente, segundo o Ministério da Saúde”, com periodicidade definida conforme quadro clínico.
O que fazer se seu exame estiver alterado
Se o seu exame mostrar alteração, converse com um médico para interpretar os resultados no contexto dos sintomas, histórico e outros exames. Não ajuste suplementos sem orientação, porque tanto a falta quanto o excesso de ferro trazem riscos.
É recomendável monitorar os níveis de ferritina quando há fatores de risco, como menstruação intensa, doença celíaca, histórico familiar de hemocromatose ou sinais de inflamação crônica.
Em suma, os níveis de ferritina são um indicador útil, mas sua leitura exige contexto clínico, exame complementar e orientação médica para proteger órgãos como fígado e coração, conforme informação divulgada pelo g1