terça-feira, março 31, 2026

Dor noturna: por que a dor piora à noite, como hormônios, frio e falta de distração aumentam o incômodo e o que fazer para aliviar

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Saiba como a queda do cortisol, o aumento da melatonina, as temperaturas mais baixas e a atenção concentrada tornam a dor noturna mais intensa, e veja medidas práticas

Muitas pessoas notam que a dor fica mais evidente à noite, especialmente dores ortopédicas, articulares e associadas a doenças reumatológicas.

Em alguns casos, isso é consequência de sobrecarga física acumulada ao longo do dia, como problemas na coluna ou no quadril depois de longos períodos em pé.

Além do esforço, fatores biológicos e ambientais ampliam a sensação de dor no período noturno, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que a dor aumenta quando escurece

O corpo humano segue ritmos circadianos ligados ao dia e à noite, e hormônios diferentes dominam cada período. Pela manhã, há maior produção de cortisol, que tem efeito semelhante ao de um anti-inflamatório e tende a aliviar a sensação dolorosa.

À noite, há aumento da melatonina e queda do cortisol, o que pode deixar a dor mais perceptível. Além disso, quando estamos menos distraídos, a atenção se volta para o desconforto e a percepção da dor aumenta.

Frio, tipo de dor e resposta ao calor ou ao gelo

Temperaturas mais baixas também influenciam, pois dores neuropáticas costumam piorar com o frio e melhorar com calor. Por isso, em noites frias a tendência é o incômodo aumentar.

Como explica a médica Mariana Palladini, responsável pelo Centro Paulista de Dor, “Nós, os seres humanos, somos regidos pelo ciclo do Sol e da Lua. Então, no período da manhã, nós produzimos alguns hormônios e no período da noite, a gente produz outros hormônios. O hormônio do cortisol é produzido pela manhã. E esse hormônio ajuda a diminuir a dor, porque o cortisol é como se fosse um anti-inflamatório“.

A médica também aponta que “A nossa máxima é dizer que uma dor aguda tem que ser tratada com gelo, com frio, e uma dor crônica tem que ser tratada com calor, até porque na dor crônica a gente tem muitas vezes comprometimento miofascial, que é o comprometimento da musculatura. E com o calor local, essa musculatura relaxa. Então, na dor crônica, a gente acaba tendo uma melhora da dor com o calor local“.

Como aliviar a dor noturna

Para reduzir a dor noturna, a acomodação na cama faz diferença. Deitar de lado, usar um travesseiro com altura adequada para manter a coluna cervical estável, colocar um travesseiro entre as pernas e abraçar outro para sustentar o ombro superior são orientações úteis.

Medidas como aplicação de calor local em dores crônicas, técnicas de relaxamento, meditação, sons suaves e práticas de higiene do sono ajudam a relaxar a musculatura e a diminuir a percepção da dor.

É importante também cuidar da qualidade do sono, porque distúrbios do sono, como os observados em condições como a fibromialgia, agravam a sensibilidade à dor. Como ressalta a dra. Mariana, “É muito importante uma qualidade de sono adequada para o paciente, para que ele tenha o sono reparador e acorde melhor“.

Quando procurar um médico

Quem convive com dores frequentes deve buscar avaliação especializada para investigação e tratamento adequados, e evitar a automedicação. A busca por diagnóstico permite direcionar terapias que podem reduzir a dor e melhorar o sono.

Como síntese do aconselhamento médico, é possível combinar medidas físicas, terapias comportamentais e, quando indicado, tratamento medicamentoso para controlar melhor a dor noturna, e, segundo a especialista, “É possível viver sem dor“.

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