Plataformas de vídeo e imagem associam magreza a sucesso e felicidade, pressionando corpos jovens e femininos a um padrão muitas vezes irreal e perigoso
A presença constante de corpos muito magros nas redes sociais tem criado um ideal que muitos tentam reproduzir, com impacto direto na saúde mental e física.
Jovens e mulheres, especialmente, são mais vulneráveis a internalizar esses padrões, o que pode desencadear comportamentos de risco e transtornos alimentares.
Conforme informação divulgada pelo g1, especialistas apontam que essa romantização da magreza está ligada a quadros de dismorfia corporal e à elevação do risco de anorexia e bulimia.
O que é dismorfia corporal e por que importa
A dismorfia corporal é um transtorno em que a pessoa percebe defeitos na própria aparência que são sutis ou inexistentes, gerando sofrimento intenso.
O resultado é uma visão distorcida do próprio corpo, com ansiedade e baixa autoestima, quando o indivíduo acredita que a “imperfeição” não pode ser corrigida.
Esse quadro torna a busca pela magreza excessiva ainda mais perigosa, porque reforça a ideia de que apenas um corpo muito magro traria aceitação social e felicidade.
Como as redes sociais alimentam a idealização
Em aplicativos de vídeo e foto, a repetição de narrativas que relacionam magreza com sucesso cria uma normalização do corpo extremamente magro.
Alguns conteúdos promovem dietas, rotinas de exercício extremas e cirurgias como soluções, sem abordar riscos médicos ou psicológicos, e a edição de imagens distorce a realidade.
Essa circulação constante de imagens e mensagens fortalece a busca pela magreza excessiva, e jovens, em fase de formação de identidade, absorvem padrões sem filtro crítico.
O alerta do especialista e citações diretas
O dr. Elton Kanomata, psiquiatra do Hospital Israelita Albert Einstein, chama atenção para o impacto desses ideais, quando afirma, “A romantização da magreza extrema pode levar os indivíduos a internalizar esses padrões como verdades absolutas, gerando uma pressão para alcançar esse ideal de beleza. Isso pode aumentar o risco de desenvolvimento de transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, e distúrbios corporais”.
O especialista também destaca a importância da rede de apoio familiar, “Familiares e amigos desempenham um papel fundamental ao compor uma rede de apoio para ajudar no enfrentamento das dificuldades com a autoaceitação e os problemas relacionados à busca pela magreza ou corpo perfeito. É fundamental que essa rede ofereça suporte emocional, crie um ambiente acolhedor e estimule a busca por ajuda profissional”.
Diagnóstico, tratamento e prevenção
O diagnóstico da dismorfia corporal pode ser desafiador, pois “muitas pessoas sentem vergonha e evitam compartilhar seus sentimentos e sintomas com amigos e familiares”. Geralmente, são feitos testes psicológicos detalhados e avaliada a presença de comportamentos compulsivos.
O tratamento costuma envolver psicoterapia, como a terapia cognitivo-comportamental, e, quando necessário, medicamentos para controlar sintomas de ansiedade e depressão.
Na prevenção, educação para o consumo crítico de conteúdo é essencial, assim como limites para tempo de tela e supervisão de pais, “É necessário também que os pais estabeleçam limites para o tempo de tela e monitorem os conteúdos acessados. Durante a adolescência, quando as preocupações com a imagem corporal se intensificam, é um momento propício para educar sobre a relação entre imagem corporal e saúde mental nas escolas”, sugere o dr. Kanomata.
Combater a idealização da magreza passa por promover diversidade corporal, ensinar leitura crítica das mídias e fortalecer redes de apoio, para que jovens reconheçam sinais de risco e busquem ajuda quando preciso.