terça-feira, março 31, 2026

Salto alto e joelhos: como o uso frequente eleva risco de condromalácia, artrose e tendinopatia, e afeta pés, tornozelos e coluna

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Saiba por que o hábito de usar salto alto altera a biomecânica, aumenta a carga patelofemoral e quais sinais e medidas ajudam a reduzir danos ao corpo

O uso repetido de salto alto provoca mudanças na postura e na distribuição de peso, o que pode sobrecarregar o joelho e outras articulações ao longo do tempo.

Essa alteração biomecânica altera o centro de gravidade, força adaptações posturais e aumenta a pressão entre patela e fêmur, com risco de dores e desgaste precoce.

O texto a seguir reúne explicações médicas, sinais de alerta e orientações práticas para reduzir os riscos do uso frequente de salto alto, conforme informação divulgada pelo g1.

Como o salto alto afeta os joelhos

O uso contínuo de salto alto leva a uma postura de flexão do joelho e deslocamento do centro de gravidade para frente, o que aumenta a carga sobre a articulação patelofemoral.

Segundo o especialista Fernando Jorge, ortopedista e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, “A longo prazo, esse estresse articular crônico e repetitivo pode acelerar o desgaste das cartilagens das articulações femoropatelar e femorotibial, aumentando substancialmente o risco de desenvolvimento precoce de osteoartrose. Ademais, o uso de saltos muito altos ou com base estreita compromete a estabilidade do tornozelo, favorecendo entorses. Essa instabilidade, por sua vez, afeta a cadeia cinética da perna, gerando sobrecarga secundária no joelho”, completa.

A pressão aumentada entre patela e fêmur também favorece condições como condromalácia patelar e a síndrome da dor patelofemoral, além de predispor à tendinopatia patelar, quando o ligamento patelar fica tensionado por longos períodos.

Outros sinais e problemas além dos joelhos

Os primeiros impactos costumam ser nos pés, especialmente na região metatarsal, porque o peso do corpo fica concentrado na parte anterior do pé com o uso de salto alto.

Conforme explicação médica, “Devido à curvatura que o salto proporciona ao pé, todo o peso do corpo fica concentrado nesse local, o que pode gerar metatarsalgia, neuroma de Morton e joanetes, principalmente se o salto for de bico fino”, diz o médico.

Também é comum encurtamento dos músculos da panturrilha e problemas na fáscia plantar. Sobre a dor que algumas pessoas sentem ao tirar o salto após uso prolongado, o especialista citou, “Um deles é o encurtamento adaptativo do músculo tríceps sural (gastrocnêmio e sóleo), que permanece contraído devido à flexão plantar mantida do tornozelo. Ao pisar no chão plano, esse músculo é subitamente alongado, gerando dor ou sensação de estiramento.”

Além disso, o uso prolongado de saltos muito altos ou de base estreita aumenta o risco de entorse de tornozelo, lombalgia por sobrecarga e, com o tempo, pode contribuir para alterações degenerativas nas articulações.

Como identificar sinais de que o salto está causando prejuízo

Procure avaliação quando houver dor persistente no joelho ou no tornozelo que não cede com repouso, sensação de instabilidade, inchaço recorrente, dor ao subir ou descer escadas ou dor intensa ao ficar muito tempo em pé com salto.

Esses sinais podem indicar lesões em cartilagens, meniscos ou tendões, que exigem diagnóstico e tratamento precoce para evitar agravamento.

Como reduzir o risco ao usar salto

Para diminuir os efeitos nocivos do salto alto, especialistas recomendam evitar o uso frequente e prolongado, preferir saltos de altura moderada e favorecer modelos mais estáveis.

O especialista ressalta que a altura considerada menos prejudicial fica entre 1,5 e 3 centímetros, e que “Esse leve salto é considerado mais fisiológico por aliviar parcialmente a tensão da fáscia plantar, sem gerar sobrecarga excessiva nos joelhos ou tornozelos.”

Prefira saltos com base larga, como bloco, anabela ou quadrado, e, quando precisar usar salto por longos períodos, faça pausas para alongar e descalçar os pés, use palmilhas que ofereçam amortecimento adequado e fortaleça a musculatura das pernas e do pé com alongamentos e exercícios específicos.

Para pessoas com sobrepeso, o impacto é maior, porque a carga articular já é naturalmente mais elevada, o que torna a moderação no uso do salto alto ainda mais importante.

Em caso de dor persistente ou sinais de lesão, procure um ortopedista para avaliação e orientação personalizada, evitando que um hábito de moda se transforme em problema crônico de saúde.

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