terça-feira, março 31, 2026

Contato com a natureza reduz estresse, melhora atenção e auxilia em quadros psíquicos: como jardinagem, exercícios ao ar livre e banho de floresta transformam sua saúde mental

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Entenda por que o contato com a natureza promove redução do cortisol, melhora da atenção e alívio de sintomas ansiosos e depressivos, e veja formas práticas de incluir áreas verdes na rotina urbana

Viver em grandes centros tem afastado muitas pessoas do ambiente natural, e essa desconexão impacta o bem-estar mental e físico de forma relevante.

Mesmo exposições curtas a espaços verdes podem trazer benefícios, desde restauração da atenção até redução de sintomas depressivos e ansiosos.

Conforme informação divulgada pelo g1, especialistas apontam intervenções como jardinagem, exercícios ao ar livre e o Shinrin-yoku como estratégias eficazes para fortalecer a resiliência psicológica.

O que dizem os estudos e especialistas

Para o dr. Jair de Jesus Mari, psiquiatra e professor titular do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), “Estudos demonstram que a exposição a ambientes naturais reduz sintomas de depressão e ansiedade, melhora as funções cognitivas e promove o bem-estar geral. Espaços verdes de qualidade, com alta cobertura arbórea e boa conectividade, são particularmente eficazes em mitigar os desafios relacionados à saúde mental. Intervenções como jardinagem, exercícios ao ar livre e programas como o Shinrin-yoku (banho de floresta) têm mostrado resultados consistentes na promoção da resiliência psicológica”, afirma ele.

Como a natureza age na atenção e criatividade

Ambientes naturais ajudam a restaurar a atenção e reduzem a fadiga mental por meio de estímulos que não exigem esforço cognitivo intenso, favorecendo a criatividade e o desempenho intelectual.

O dr. Jair destaca que “Componentes como amplitude, distanciamento do cotidiano e fascínio natural estimulam as funções cognitivas sem esforço deliberado. Crianças e adultos com TDAH, por exemplo, apresentam melhora no foco e redução de sintomas após atividades ao ar livre”, explica.

Relaxamento fisiológico e redução do estresse

A relação evolutiva entre humanos e natureza explica por que ambientes naturais promovem relaxamento, com efeitos mensuráveis no organismo.

Segundo o especialista, “A relação evolutiva entre os seres humanos e a natureza explica por que nos sentimos mais relaxados em ambientes naturais. A exposição à natureza reduz os níveis de cortisol, regula a frequência cardíaca e diminui a pressão arterial, indicadores fisiológicos do estresse”, explica o dr. Jair.

Além disso, a luz solar favorece a produção de vitamina D e mudanças neuroquímicas, como aumento de serotonina, que estão associadas à melhora do humor.

Contraponto ao uso excessivo de telas e dicas práticas

O uso exagerado de telas tem impacto negativo no sono, na atividade física e nas interações presenciais, e, do ponto de vista neurobiológico, afeta o sistema de recompensa, segundo o especialista.

“Sob a perspectiva neurobiológica, o excesso de tempo de tela estimula o sistema de recompensa dopaminérgico de forma desequilibrada, o que pode levar a impactos negativos no desenvolvimento saudável, especialmente em crianças e adolescentes.”, alerta o dr. Jair, que completa, “Equilibrar o tempo de tela com o contato regular com ambientes naturais é uma estratégia essencial para manter a saúde mental e emocional”.

Para quem mora em centros urbanos e tem rotina corrida, é possível incluir o contato com a natureza de formas simples, como caminhar em parques próximos, cuidar de vasos ou hortas em casa, almoçar ao ar livre quando possível e priorizar exercícios ao ar livre nos finais de semana.

Essas ações curtas e regulares ajudam a restabelecer a atenção, reduzir o estresse e contribuir para a melhora de quadros psíquicos, de acordo com especialistas ouvidos pela reportagem.

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