Mesmo em pequenas quantidades, o álcool pode prejudicar a saúde de formas variadas, por isso autoridades e pesquisas dizem que não existe uma dose segura, entenda.
Mesmo em pequenas quantidades, o álcool pode trazer danos à saúde, segundo especialistas.
Pesquisas recentes e órgãos internacionais apontam que os riscos vão do fígado ao cérebro, além de aumentar a chance de diversos tipos de câncer.
Nas linhas a seguir explicamos as evidências científicas, as diferenças entre homens e mulheres, os perigos na gravidez e a interação com medicamentos.
conforme informação divulgada pelo g1
Por que não existe dose segura
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há quantidade ou forma segura de beber álcool sem afetar a saúde em algum nível. O consumo de álcool está relacionado a mais de 200 doenças, incluindo enfermidades hepáticas, cardiovasculares, diversos tipos de câncer e danos ao cérebro.
Em um estudo observacional com 25 mil pessoas do Reino Unido, publicado em 2021, a Universidade de Oxford mostrou que qualquer quantidade da substância pode afetar a massa cinzenta, parte do órgão do sistema nervoso associada à memória, ao raciocínio e outras funções cognitivas.
A psiquiatra dra. Patricia Hochgraf explica a dificuldade de definir um limite seguro, porque “Vai depender do sexo, da metabolização, de fatores preexistentes, da genética que a pessoa herda. São tantas variáveis envolvidas que, hoje, não temos como prever. Então, o mais seguro é não beber.”
Diferenças entre homens e mulheres
A metabolização do álcool varia significativamente entre homens e mulheres. As mulheres tendem a ter mais gordura e menos água no corpo, o que faz com que o álcool se dilua menos, e também têm uma enzima que metaboliza o composto de forma menos eficiente do que nos homens.
Na prática, para a mesma quantidade consumida, as mulheres costumam sofrer mais prejuízos à saúde. A médica afirma que “Elas desenvolvem hepatite, cirrose, problemas cardíacos e neurológicos mais cedo e de forma mais grave do que os homens. Acredita-se que isso seja mediado pelos hormônios femininos.”
Riscos na gravidez e interação com remédios
O impacto do álcool durante a gravidez é uma das situações em que não há margem de segurança. “O álcool é a maior causa prevenível de retardo mental em recém-nascidos. Não sabemos qual é a quantidade mínima que pode causar danos ao feto, então a recomendação é que gestantes não bebam nada.”
Além disso, beber enquanto se faz tratamento médico pode reduzir a eficácia dos remédios e aumentar efeitos colaterais. “O álcool pode interferir na absorção de remédios, reduzindo sua eficácia. Além disso, ele potencializa os efeitos colaterais de antidepressivos, ansiolíticos e até analgésicos”, alerta a especialista.
O mito do “beber socialmente” e as chamadas pílulas de ressaca
A ideia de que é possível beber “socialmente” sem prejuízos não é respaldada pela ciência. Uma pesquisa publicada em agosto de 2024, na “Jama Network”, feita com 135.103 bebedores mais velhos, revelou que mesmo o consumo reduzido estava associado a uma maior mortalidade entre adultos idosos.
Para a dra. Patricia, o termo é relativo, e mesmo quantidades pequenas podem levar a problemas práticos, como acidentes de trânsito e queda no rendimento no trabalho. “Se dissermos que qualquer quantidade de álcool, em qualquer circunstância, faz mal, corremos o risco de perder credibilidade. Por isso, é essencial a responsabilidade ao abordar o tema. O que sabemos com certeza é que ultrapassar o limite que o corpo suporta faz mal.”
Quanto às “pílulas de ressaca”, não há comprovação científica de que esses medicamentos realmente funcionem. “Inclusive, na bula da mais famosa delas não há qualquer indicativo para tratar os sintomas do consumo excessivo de álcool.” Em vez de soluções milagrosas, medidas simples ajudam, como beber bastante água, intercalar álcool com água, evitar beber de estômago vazio e, no dia seguinte, manter-se hidratado e se alimentar bem.
Conclusão
Especialistas e órgãos de saúde concordam que o álcool traz riscos mesmo em doses pequenas, e que fatores individuais tornam impossível estabelecer uma dose segura universal. Para quem busca reduzir danos, a opção mais segura é evitar consumir álcool, especialmente durante a gravidez e quando se faz uso de medicamentos.
Quando houver dúvidas sobre consumo, riscos e tratamentos, procure orientação médica e considere medidas que reduzam a exposição ao álcool.