terça-feira, março 31, 2026

Exercícios e emagrecimento, por que treinos intensos não garantem perda de peso, estudo com caçadores-coletores mostra gasto energético diário semelhante ao de ocidentais

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Pesquisa com populações tradicionais questiona a ideia de que mais movimento sempre significa maior queima de calorias, e aponta para limites biológicos no gasto energético diário

Atividade física e dieta são complementares quando o objetivo é perder ou ganhar peso, mas estudos recentes sugerem que o corpo pode manter o gasto energético total dentro de uma faixa estável.

A descoberta veio de medições precisas, usando água enriquecida com isótopos, aplicadas em comunidades de caçadores-coletores e em diversas populações ao redor do mundo.

Os resultados desafiam a ideia de que a vida moderna, mais sedentária, explica sozinha a epidemia de obesidade, conforme informação divulgada pelo Scientific American.

Método e resultados

Pesquisas lideradas pelo antropólogo Herman Pontzer mediram o gasto energético diário em caçadores-coletores hadza, na Tanzânia, usando o método da água duplamente marcada, que permite calcular com precisão as calorias gastas.

Nos testes, os homens queimam em média 2.600 calorias por dia, enquanto as mulheres, 1.900 calorias, números que, surpreendentemente, não diferem de forma significativa dos gastos de homens e mulheres em sociedades europeias e americanas.

Resultados semelhantes foram observados em estudos com populações tradicionais da Guatemala, Gâmbia e Bolívia, e em comparações históricas, como a de 2008 entre mulheres nigerianas rurais e afro-americanas de Chicago.

Por que o gasto se mantém

Uma metanálise de 98 estudos conduzidos em diversas partes do mundo concluiu que o gasto energético diário nos países mais ricos não é diferente daquele encontrado em populações obrigadas a dispender energia na sobrevivência.

Isso indica que o organismo tem mecanismos para equilibrar o total de energia gasto, mesmo quando a atividade física é intensa, por meio de ajustes comportamentais e metabólicos.

Por exemplo, indivíduos mais ativos podem reduzir movimentos em outros momentos, sentar mais, dormir mais profundamente, ou o corpo pode reduzir processos metabólicos que consomem calorias, como resposta inflamatória excessiva.

O papel da dieta e do exercício na perda de peso

Se o gasto energético diário não variou muito ao longo da evolução humana, a razão pela qual nossos antepassados eram mais magros, enquanto hoje há mais obesidade, é simples, a ingestão de calorias aumentou acima das necessidades.

Portanto, em termos de emagrecimento, reduzir calorias permanece essencial, enquanto exercícios e emagrecimento devem ser tratados como estratégias complementares, e não substitutas.

O exercício, no entanto, traz benefícios claros, como melhor função cardíaca, fortalecimento do esqueleto, melhora do sistema imunológico, preservação das cartilagens e ganhos cognitivos e digestivos, razões suficientes para manter uma rotina ativa.

O que isso significa na prática

Para quem busca perder peso, a mensagem é direta, combinar controle alimentar com atividade física é mais eficaz do que contar apenas com horas na academia.

Ao planejar emagrecimento, foque em reduzir calorias consumidas, escolher alimentos mais nutritivos, e manter atividades regulares, lembrando que os treinos beneficiam a saúde mesmo quando a balança demora a reagir.

Em resumo, exercícios e emagrecimento andam juntos, mas não são sinônimos, e entender como o corpo compensa o gasto energético ajuda a traçar metas realistas e sustentáveis.

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